Hoje, sentado na beira do passeio, enquanto esperava pelo fim do mundo, reparei como aquelas gotas que apareciam do nada me faziam sentir vivo. meu deus, como foi bom sentir pela última vez aquele toque frio da água. as minhas roupas começaram a ficar encharcadas. do meu cabelo pingavam gotas frias da água mais pura que eu alguma vez vi.
a cópia mais amachucada do papel que tinha deixado em casa foi comigo. agarrei-a e por muito dificil que tenha sido ler, li-a pela última vez. por momentos olhei á minha volta, ninguém passava. comecei a cantar aquela música que desde pequeno ouvia. toquei mais uma vez, naquele objecto. sabia que aquele era o único caminho. talvez para mim, por ser ao mesmo tempo o mais fácil e o mais dificil.
no meio de tanto silencio a minha voz ecoava naquela rua estranha. calei-me. preparei-me para o que estava a pensar fazer.
a chuva começava a cair ainda mais ferozmente. "a chuva molhava-me o rosto, gelado e cansado". fui ao bolso das minhas calças encharcadas, tirei aquela última, aquela que tinha encontrado no quarto do meu avô junto há cómoda. coloquei-a no lugar onde pertencia. ao lado do meu ouvido senti o toque frio da ponta da arma. a tremer comecei a apertar o gatilho. até que de repente, tudo se apaga. o som da arma a deixar a bala perfurar o meu crânio. perdi todos os meus sentidos. o meu corpo caiu. com a chuva o meu sangue escorria até ao final da rua. nos meus olhos caiu a minha última lágrima até passar para a outra margem.
foi desta maneira que me despedi do mundo. e aqui estou eu, neste meu mundo a contar a história da história da minha outra vida.
opah , tu tens tanto jeitinho para escrever meu amor :$ , eu amo-te tanto , que texto lindo , melhor amigo !
ResponderEliminarEste poema é mais composto, já tem título.
ResponderEliminarBelo